JOÃO ANTONIO, INTERIOR DO MARANHÃO


A primeira impressão que temos ao mencionar este nome é que se trata de uma pessoa, mas não, João Antônio é um lugar, ou melhor, um lugarejo, localizado no interior do Maranhão, município da cidade de Barão de Grajaú, a cerca de 650 km  da capital São Luiz. 


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Mas por que o nome  João Antônio?  Provavelmente em referência a  algum morador muito especial; não se sabe ao certo a origem deste nome.
Este texto foi escrito em homenagem a uma amiga muito especial que nasceu em João Antônio, Neuza Jardim.
Convido-lhe agora, através deste texto a fazer um passeio por João Antônio e conhecer um pouquinho mais da cultura maranhense, curiosidades e costumes da vida no interior. 



Primeiramente para se chegar até João Antônio saindo da cidade mais próxima Barão de Grajaú, é preciso viajar por aproximadamente  100 km por uma estrada de terra em cima de um pau-de-arara, uma espécie de caminhão ou caminhonete com tábuas transpassadas de um lado ao outro da carroceria que servem como assento,  mas no pau-de-arara além dos passageiros leva-se de tudo, sacos de farinha, objetos e animais, a viajem não é moleza, o caminhão sacode mais que  um barco na tempestade. 
João Antônio é um pequeno povoado habitado por apenas  uma ou duas famílias. No Maranhão como em todo nordeste é comum este tipo de  habitação, geralmente o morador é o próprio dono da pequena terra, e nelas constroem suas vidas.   

O sustento vem da lavoura, mais conhecida como roça, e da criação de animais. Na roça planta-se de tudo, feijão, milho, abobora, macaxeira, mandioca, etc.  Já no curral ou no quintal de casa cria-se animais como porcos, galinhas, bodes, etc.  o jumentos e o cavalo também não podem faltar,  pois servem para a locomoção das pessoas de um povoado ao outro.  

Como dito, foi lá que nasceu uma pessoa muito  especial,  Neuza Jardim,  minha amiga, ela viveu parte da sua infância em João Antônio e ainda muito pequena  aprendeu  com seus pais as labutas da vida do interior, desde as mais simples como colher frutas no quintal até as mais bruscas como quebrar o coco babaçu.
A vida no interior é bem artesanal, as atividades caseiras são geralmente manuais, pois lá não existe luz elétrica, e tudo tem que ser feito na força do braço,  a água de beber por exemplo é puxada do poço, através de uma lata pendurada numa corda e depois é depositada num pote de barro e o pote geralmente conserva a água bem fresquinha com um sabor muito especial.  

O arroz é outro exemplo do trabalho braçal, para tirar a casca, ou a palha do arroz, o mesmo é batido no pilão,  e isto requer muito esforço físico,  geralmente estes trabalhos domésticos,  nada delicados,  são de responsabilidade das mulheres.  

Mas as mulheres do interior não trabalham apenas nos afazeres de casa,   elas ainda tem disposição para trabalhar na floresta quebrando coco babaçu,  uma atividade muito conhecida no Maranhão que rende um bom ordenado no final do mês.  

O Babaçu,  é uma fruta nativa em alguns estados do Norte e Nordeste  e uma das maiores riquezas do Maranhão.  Da fruta do babaçu extrai-se o azeite, a ração para animais e muitos outros produtos.  As palmeiras altas do babaçu formam paisagens deslumbrantes, quem passa pelas  estradas  do Maranhão  pode contemplar tal beleza.
Lembro-me quando Neuza e eu éramos criança e passamos uma das nossas férias escolares em João Antônio, foi pura aventura, aproveitamos um pouquinho de tudo,  do trabalho duro às brincadeiras de meninas.  

La no interior dormíamos na rede;  Neuza nesse tempo fazia xixi na rede todos os dias, ela não se conformava porque eu não fazia xixi na rede,   então um dia, enquanto eu ainda dormia ela jogou água debaixo da minha rede só pra dizer que eu também fazia xixi na rede,  coisas de criança.  

Lembro também, vagamente que fomos numa festa num lugarejo bem próximo,  todo mundo arrumadinho para dançar as músicas ao som dos instrumentos musicais do interior do nordeste, como a sanfona.   

Essa e outras aventuras tivemos o privilegio de vivenciar,  com certeza Neuza também tem as suas lembranças engraçadas das aventuras que aprontamos por lá.

Em João Antônio tem tudo isso e muito mais, tem uma grande casa feita com paredes de taipa e coberta de palha,  tem um terreiro enorme na frente de casa, com algumas árvores e galhos secos,  ao longe avista-se o horizonte com mais e mais arvores, céu azul e uma estrada de terra,  tem um riacho de águas cristalinas onde são lavadas as roupas e onde se toma um delicioso banho.  

Tudo é natural e belo,   os pássaros se encarregam de cantarolar e alegrar os dias daquele lugar,  o silêncio e a tranquilidade de João Antonio dão lugar ao som dos animais como jumentos, cabras, cavalos e muitos outros.  Assim  é João Antônio,  as noites são iluminadas pela lua,  já dentro de casa a luz vem da lamparina e do candeeiro de querosene. 

João Antônio lembranças que não se apagam.


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Obrigada,

Um comentário:

  1. Gostei de saber que em João Antônio os bodes berram.
    ppcostaneto@hotmail.com

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