JULIETA, A FORÇA DE UMA MULHER


Um rosto delicado e uma voz carinhosa, uma aparência frágil e uma expressão suave, e por trás destas doces características, uma mulher forte, disposta e acima de tudo sábia. Assim é Julieta.


Sua história de vida é marcante e merece ser registrada para a eternidade, na literatura, na poesia e na beleza da vida, para que as gerações futuras e a sua descendência possa ter conhecimento dessa mulher exemplar, mesmo que se passe muitos e muitos anos, o tempo não poderá apagar essa linda historia de uma grande mulher.
Vem comigo conhecer a história de Julieta e ainda apreciar o Maranhão, essa terra rica e maravilhosa.

Nascida em terras maranhenses no dia 01 de outubro de 1930 num pequeno povoado chamado Palmitos, localizado cerca de 700 km de São Luiz, filha de João Carvalho de Freitas e Joana Maria da Silva, ele descendente de português e ela descendente de índios. João Carvalho era conhecido como João Eugênio, por ser filho de Eugênia Josefa de Carvalho, o pai de João Eugênio chamava-se André Carvalho de Freitas, homem branco de descendência portuguesa. Joana Maria da Silva era filha de Inês Pinto da Silva e Thiago Pinto da Silva, de descendência Indígena. João Eugênio trabalhava com a manufatura de couro, confeccionava calçados, capa de faca conhecido como bainha, e tudo que se podia fazer com o couro de gado naquela época. Joana Maria trabalhava com artesanatos, fazia redes, bordados, lençóis, e tudo isso vinha da linha que ela produzia no seu próprio tear. O tear era uma espécie da máquina manual que transformava a matéria prima “o algodão” em linha.



UM POUCOS DA HISTÓRIA DO MARANHÃO:


Para entender um pouco da mistura de raças e dos antepassados familiares de Julieta é interessante dar uma volta no panorama étnico cultural do Maranhão. Um dos estados mais miscigenados do país, formados por pardos, escravos, indígenas e africanos. Os afro-descendentes são maioria da população, devido ao forte tráfico negreiro entre os séculos XVIII e XIX. Muitas das tradições maranhenses tem a forte marca das culturas africanas como a culinária, a religião e a músicas. A população branca, é quase exclusivamente composta de descendentes de portugueses, dada a pequena migração de outros europeus para a região. Ainda no início do século XX a maior parte dos imigrantes portugueses era oriunda dos Açores e da região de Trás-os-Montes. Também no século XX vieram contingentes significativos de sírios e libaneses, refugiados do desmonte do Império Otomano e que hoje têm grande e tradicional presença no estado. A proximidade com a cultura portuguesa e o isolamento do estado até a metade do século XX gerou aqui um sotaque próprio e ainda bastante similar ao português falado em Portugal, praticando os maranhenses uma conjugação verbal e pronominal vizinha àquela lusitana.



UM POUCO SOBRE OS POVOADOS DO MARANHÃO:

João Carvalho e Joana Maria concretizam então essa mistura de Europeus com Índios, tiveram 3 filhos Julieta, Raimundo e Libânia. A família habitava no povoado de Palmitos e dali foram para outro lugar chamado Aldeia, onde permaneceram algum tempo, moraram também em Vereda do Gado, todos bem próximos um do outro porém distante da capital em aproximadamente 700 km. Este tipo de povoado é muito comum ao longo de todo Estado do Maranhão, existem milhares deles por lá, quase que incontáveis e maioria não são encontrados no mapa, são povoados tão pequenos que em muitos deles habitam apenas uma só família, a sobrevivência por sua vez vem do cultivo de legumes e da criação própria de animais.

AINDA SOBRE JULIETA:


Ainda muito jovem, a vida de Julieta começa a ganhar um novo rumo, a família muda-se para Lages onde ela conhece Lourenço Rodrigues Vieira, um homem vistoso, moreno e muito bonito. “Lembro-me como que se fosse hoje”, disse Julieta certa vez, “ele chegou montado num jumento para falar com papai e mamãe e pedir-me em namoro” dona Joana porém não simpatizava com Lourenço, não para ser o namorado da  sua filha, muito menos marido,  mas o amor dos dois foi maior, e casaram-se ainda muito cedo.


O casal jovem foi morar em Palmitos a ali tiveram seus dois primeiros filhos, João de Deus e Raimundo Crisógono. Lourenço, o marido de Julieta era um homem muito ativo, trabalhador, comerciante, e de boa comunicação, estava sempre a procura de melhores condições de vida, sabia aproveitar as oportunidades, por conta disso, mudou-se para São Domingos do Zé Feio, logo conquistou um bom cargo em São Domingos e se estabeleceu naquele lugar, aos poucos os parentes de Julieta também vieram para São Domingos, os pais João Eugênio e Dona Joana, o irmão Raimundo chamado de Mundico, já casado com Antônia a Tunica, e todos foram se acomodando em São Domingos na tentativa de ganhar a vida naquele lugar. Porém Mundico e Tunica ficaram pouco tempo e logo se mudaram para o município de Barão de Grajaú, na margem  do Rio Parnaíba, divisa com o estado do Piauí, lugar onde residiam os pais de Tunica.


A família de Lourenço e Julieta foi crescendo e como toda família saudável daquela época tiveram mais 6 filhos que completavam os oito, mas o inesperado aconteceu, Lourenço partiu em seu pleno vigor da idade.


Daí em diante começa uma nova fase na vida dessa mulher, agora viúva e com 8 filhos para criar, a responsabilidade lhe pesava nos ombros. Mas com os recursos que lhe dispunha nas mãos e com a força que encontrou em Deus e dentro de si mesma para enfrentar todas as dificuldades estavam por vir, ela segue em frente, sozinha, mas com uma certeza, faria qualquer sacrifício, desde que honesto, pelos seus filhos. Começa então uma longa e dura batalha pelas conquistas do sustento da família Vieira, os meninos começaram a trabalhar muito cedo, ajudavam na renda familiar, muito trabalho, determinação, união e acima de tudo muito amor. Julieta fazia agora o papel de mãe e pai para seus filhos, administrava muito bem a casa com a força de uma mulher sábia, mas com certeza os momentos de angustia e preocupação eram inevitáveis assim como é na vida de qualquer ser humano, foram dias e anos de muita luta que somente Julieta no seu íntimo sabe o que passou.


Apesar da pouca instrução escolar, Julieta tinha uma visão de futuro ampla, muito além daquilo que vivia, ela sabia que o futuro de seus filhos dependia de um boa formação escolar, e toda sua luta, todo seu esforço foi empenhado nesse objetivo, queria seus filhos formados, mas como isso poderia acontecer morando numa pacata São Domingos a 800 km de distância de um boa escola?


Raimundo Crisógono o menino mais velho já estava entre seus 14 ou 15 anos quando Julieta escreveu uma carta para um padre conhecido que residia na Capital do Maranhão, a chamada ilha de São Luiz. Na carta Julieta fazia um pedido muito importante, solicitava ao padre que hospedasse seu filho na casa dele para que Crisógono, o menino, pudesse estudar na capital, e o pedido foi abençoado por Deus, o padre aceitou. Crisógono partiu para São Luiz levando com ele a esperança de um futuro melhor para sua mãe e seus para seus 7 irmãos.


Será que Crisógono ainda tão pequeno pode contemplar a beleza das estradas do Maranhão, naquele percurso de São Domingos a São Luiz?  Provavelmente sim,  pois é impossível não perceber tanta beleza,  a paisagem linda dos coqueiros de babaçu, com seus cachos recheados de frutos, tão altos que parecem alcançar o céu, suas folhagens verdes vivas que se misturam com o azul celeste e o brilho do sol, as casas de taipa com cobertura de palha, tudo isso faz das as estradas do Maranhão uma das mais belas do pais.


A continuação dessa história não é necessário descrever no momento, basta olhar em volta de Julieta e ver o seu maior tesouro na terra, seus oitos filhos bem criados, bem resolvidos, prósperos e felizes, os seus sonhos, portanto, foram realizados, a vida lhe deu também lindos netos e netas em abundância, noras e genros que todos juntos formam uma imensa família.


O melhor e maior presente que Deus poderia lhe dar aos 80 anos é este, poder compartilhar essa felicidade rodeada de toda sua família.

Bendito são os frutos de Julieta e Lourenço Vieira.


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Obrigado.

Um comentário:

  1. Roberto Costa Barbosa12 de fevereiro de 2011 22:54

    Olá Fabiana, Aproveitei e li a história do Lourenço e a Julieta, coisas de mulher, mãe, coisas de deus, linda historia. Parabéns as Julietas do Maranhão e do Brasil.

    Um abraço a você e seu marido

    Boby

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